O Yoga no ensinamento do Bhagavad Gita

Os quatro Yogas – Karma, Jnâna, Râja e Bhakti

No Bhagavad-Gîtâ Krishna discursa sobre os quatro Yogas de Karma, Jnâna, Râja e Bhakti no diálogo com Arjuna. Georg Feuerstein escreve o seguinte: É difícil dar a esse Yoga um rótulo que lhe seja apropriado.  Não é só Jnâna-Yoga e Karma Yoga, mas também Bhakti-Yoga.” [1]

Madhusūdana Sarasvatī (c.1540–1640), um filósofo Indiano[2], dividiu os dezoito capítulos ou lições em três, cada divisão com seis lições. Sarasvati classificou as primeiras seis lições como Karma-Yoga, as segundas seis lições como Bhakti-Yoga, e as últimas seis lições como Jnâna-Yoga.

O nome Râja-Yoga é um neologismo que entrou em uso por volta do Século 16 d.C.[3] em referência aos Yoga-Sûtras de Patanjali; essa parece ser a razão pela qual o nome não era utilizado nem por George Feuerstein ou Madhusudana Sarasvatí quando escreveram sobre os Yogas do Bhagavad-Gîtâ. A sexta lição é dedicada à prática de meditação e inclui referências que podem ser atribuídas aos oito angas mencionados nos Yoga-Sûtras tal como em outras estrofes de Bhagavad-Gîtâ.

Em todas as lições de Bhagavad-Gîtâ podemos encontrar uma alusão a um ou outro dos quatro Yogas.[4] Por exemplo, na sexta lição, o Yoga da Meditação em Átma, estrofe 47, podemos ler uma referência sobre Bhakti-Yoga:

6.47.Entre todos os yôguis, aquele que tem o átma

sempre absorvido em Mim e Me adora com fé,

na verdade, é, por Mim, considerado o mais

integrado, maior entre os yôguis todos.”[5]

 

Num outro capítulo do livro A Tradição de Yoga”, Feuerstein escreve o seguinte sobre a definição de Yoga:

O Mahabharata (14.43.24) afirma que o sinal distintivo do Yoga é a “atividade” (pravritti). Isso faz-nos lembrar a definição do Bhagavad-Gîtâ (2.50), equivalente hindu do Novo Testamento, segundo a qual Yoga é a perícia em ação(Yogah Karmasu kaushalam). Isso significa que o yogin ou a yoginî fazem o trabalho que lhes cabe e desincumbem-se das suas obrigações sem esperar por recompensa alguma.” [6]

Esta citação leva-nos na direcção do Karma-Yoga, o Yoga de Acção.  

Karma-Yoga    

                   

A palavra Karma é derivada da raiz kri que quer dizer fazer e tem vários sentidos:acção”, trabalho”, “efeito”, etc, e neste contexto, Karma-Yoga é traduzido como sendo o Yoga da Acção.  No seu livro A Tradição do Yoga”, Georg Feuerstein cita o dicionário Webster dizendo que a palavra Karma é definida como: 

a força gerada pelas acções da pessoa, força essa, segundo o Hinduísmo e o Budismo, que perpetua a transmigração e, em suas consequências éticas, determina  o destino da pessoa na encarnação seguinte”.[7]

Isto quer dizer que todas as acções têm as suas consequências; estas consequências poderão ser realizadas de imediato, outras adiadas e ainda outras serão realizadas em futuras encarnações.

O Bhagavad-Gîtâ é o primeiro texto sagrado que descreve detalhadamente o Karma-Yoga. Krishna ensina que para conseguir a meta do Yoga todos os actos têm quer ser praticados sem apego aos resultados das acções.  Arjuna fala com Krishna sobre o seu tormento de ter que lutar contra os seus parentes, amigos e mestres e este terá que lhe explicar que o abandono do seu dharma como guerreiro também implica que não está a seguir a doutrina do Karma.

Na terceira lição, Krishna discursa sobre o Karma-Yoga, dizendo que é impossível para o homem existir sem agir. Todas as acções têm as suas consequências, até a mais simples, mas mesmo assim a acção é melhor que a inacção, não importa quais as suas consequências.

Na estrofe seguinte, Krishna explica que é a força da nossa natureza (prákriti) que impele a acção:

3.5.Porque ninguém, ninguém, por um instante,

deixa de praticar qualquer acção:

quer queira ou não queira, é obrigado

à acção pelos três gunas da Prákriti.[8]

Na décima-quarta lição Krishna discursa sobre os gunas ou qualidades. A qualidade mais pura é a do sattva, o guna da sabedoria e iluminação e a pessoa que o desenvolve torna-se altruísta e feliz com tudo que a vida lhe traz; em seguida é a do rajas, o guna que leva ao apego e desejos que conduz à actividade; por fim, é o do tamas, o guna que leva à ignorância, letargria e disilusãoA sua descrição está nas estrofes 6 a 8:

14.6.E sattva imaculado, ‘Sem Mácula!

Luminoso e isento de doença,

plo apego à virtude é que vincula

e também pelo apego ao conhecimento

14.7. E rajas, fica sabendo, é paixão,

que só provém de apego e da avidez:

vincula, sim ó Filho de Kuntí,

pelo apego à acção, o átma encarnado.

14.8. E tamas só procede da ignorância

que ilude os átmas todos encarnados

e vincula, ó Grão Filho de Bhárata,

pla negligência, indolência e sono.”[9]

 

Voltando à terceira lição sobre o Karma-Yoga, Krishna continua a explicar que qualquer acção tem que ser praticada sem apego senão, não está a praticá-la como devia e está a agir no mundo da ilusão:

3.6.Depois de refrear os órgãos da acção

quem continua com a mente nos objectos

dos sentidos, mantendo o átma iludido,

esse é chamado, com certeza, um vil hipócritca.

3.7. Mas, quem vigia os seus sentidos com a mente

e empreende assim, ó Ardjuna, o Yôga

da acção, com os órgãos todos da acção

e sem apego aos frutos, esse é superior.” [10]

 

O desapego é um acto de renuncia do ego e tem que ser praticado em toda a acção no Karma-Yoga.  Krishna fala com Arjuna dizendo que se este consegue praticar o desapego na acção em conjunto com o seu dever, irá conseguir realizar o objectivo mais importante:

3.19.Portanto, tu realiza sempre, sem apego,

a acção d’harmonia com teu próprio Karma,

porque, ao realizar a acção sem apego,

                o homem, na verdade, alcança o Ser Supremo.”[11]           

Nas estrofes 22 a 24 Krishna parece que está a explicar que até ele próprio segue a lei de Karma-Yoga e quais seriam as consequências da sua inactividade se não a seguisse:

3.22.Pra Mim, ó Filho de Prithá, não há

mais nada que fazer nestes três mundos:

nenhum inatingível é Meu alvo

e, não obstante, continuo activo.

3.23. Porque, se não agisse sempre, infatigável,

os humanos, ó Filho de Prítha,

o Meu exemplo seguiriam todo

e para sempre ficariam inactivos

3.24. Chegariam ao fim estes três mundos,

se Eu não fizesse mais acção nenhuma:

Eu seria o Autor da grande confusão;

           sim, Eu destruiria as criaturas todas.” [12]

           

Nesta lição podemos concluir que Krishna quer transmitir que não precisamos de nos retirar da sociedade, mas que conseguiremos a meta de união ou realização de Brâman por fazer aquilo que nos compete – o nosso ‘dever’ ou dharma – sem apego aos resultados.    

      

Jnâna- Yoga  

                    

A palavra Jnâna quer dizer conhecimento mas não no simples sentido do saber. George Feuerstein explica-a assim:

A palavra  significa “conhecimento”, “intuição” ou “sabedoria”, e no contexto espiritual significa específicamente aquilo que os gregos chamavam gnosis,um tipo especial de conhecimento ou intuição libertadora.” [13]

O conhecimento que o adepto de Jnana-Yoga procura é o do Absoluto, o que é conseguido através da sabedoria de discernimento – terá que saber discernir entre matéria e átma, o irreal e o real.  A questão que leva o adepto a procurar este caminho é Quem sou eu? e não Quem é Brâman”.  Através do estudo, auto-estudo e auto-conhecimento o adepto de Jnâna-Yoga espera chegar à Verdade, a percepção que o átma, Átman e Brâman são Unos. Mesmo assim, a tradição reza que isto não será possível sem um mestre para o ajudar neste caminho. O Jnâna-Yoga é traduzido como sendo o Yoga do Conhecimento e é considerado o mais difícil a seguir.

Na terceira lição encontramos Krishna a discursar sobre Karma-Yoga, o Yoga de Acção e na quarta lição, Krishna mostra o caminho deste Yoga para o de Jnâna-Yoga. O adepto de Jnâna-Yoga explora através do seu intelecto a questão da acção e inacção na sua procura de resposta ao Quem sou eu?”.

Nas primeiras estrofes, Krishna conta como foi ele que começou a transmitir o ensinamento de Yoga e isto pode ser visto como o princípio do ensinamento através dos mestres ou gurus para os seus discípulos. De Jnâna-Yoga, diz-se que os adeptos somente irão conseguir chegar à união com Brâman através dos cuidados e ensinamentos de um mestre ou guru já iluminado, ou seja alguém que já alcançou a união com Brâman.

Nas estrofes 15 e 34 encontramos referências que incitam o adepto de Jnâna-Yoga a procurar um Guru:

4.15.Cientes disto, os antigos que buscavam

sua libertação, procediam assim.

Portanto, tu, também, procede como

outrora procediam os antigos.” [14]

4.34.Isto aprende através da submissão,

através da pesquisa e do serviço.

Os sábios que detêm o magno conhecimento,

que vêem a verdade, esses hão-de instruir-te.” [15]

 

E na estrofe 17 podemos perceber a razão pela qual esta procura é necessária:

4.17.É preciso entender a fonte da acção,

é preciso entender a acção errada,

é preciso entender a inacção:

o curso da acção é um enigma.” [16]

           

Krishna explica que revelará este ensinamento ao seu amigo devotado, tal como o revelou primeiro ao deus-Sol, dizendo que este Yoga é o segredo supremo:

 4.1.Declarei este Yôga eterno, imperecível,

a Vivasvat, Brâman-Sol, primevo antepassado,

o qual o transmitiu a seu filho Manu

e Manu, por seu turno, a Ikxvaku o deu.

4.2. Communicado assim por tradição

os videntes reais o receberam.

E, após muito tempo, este Yôga, no mundo

perdeu-se, ó Abrasador do Inimigo!

4.3. O mesmo Yôga, hoje, Eu te ensino,

o mesmo, proclamado antigamente,

porque tu és Meu devotado amigo

e o segredo supremo é tal Yôga.” [17]

Estas são as estrofes que podem ser consideradas como sendo uma referência à passagem do ensinamento pelo mestre ao seu discípulo e que coloca Krishna como sendo o primeiro ‘Mestre’.

 

Krishna continua a falar, desta vez dos muitos nascimentos pelos quais ambos têm passado, mas dos quais Arjuna não se recorda. Também, Krishna fala da sua existência e a razão desta, que também explica a razão pela qual está presente nesta grande batalha – para defender a justiça.[18]  Arjuna também está nesta batalha pela mesma razão só que o seu tormento age como um véu, a ocultar esta razão.

O adepto de Jnâna-Yoga preocupa-se em adquirir o conhecimento sobre a razão da acção e os métodos de sacrifício ou ascese que eliminam o vínculo a essa mesma acção. Segundo Krishna o adepto ao fazer isto conseguirá unir-se a Ele:

 4.10.Muitos, libertos da paixão, do medo e cólera,

absorvidos em Mim e em Mim só procurando

refúgio, já purificados pela ascese

do conhecimento, ascenderam ao Meu estado.”[19]

 

É o próprio Krishna que coloca a pergunta sobre acção e inacção para depois dizer que esse ponto confunde os mais sábios.  Ensinará o que é para que o Arjuna pode-se libertar:

 4.16.Que é a acção? E a inacção? ‘Te os poetas

se encontram confundidos em tal ponto.

Eu ensinar-te-ei o que é a acção: depois,

sabedor, d’impureza te libertas.”[20]

 

No seu livro sobre o Bhagavad Gîtâ, Swami Sivananda explica esta estrofe dizendo que embora não esteja empreendido na acção, mas se a mente estiver com a ideia de “fazer” e egoismo, então esta é acção em inacção. Por outro lado, embora empreendido fisicamente numa acção intensa, se a ideia de actividade está ausente, se estiver a sentir que Prakriti faz tudo, esta é a inacção em acção.” [21]

Portanto, Arjuna simplesmente tem que seguir em frente com a batalha, sem apego às consequências ou aos frutos da ação, como o seu dever como guerreiro lhe compete e como a sua natureza o impele. Assim, atingirá a inacção em acção.Ou seja, o adepto de Jnâna-Yoga liberta-se da transmigração quando compreende que não é ele que faz a acção, é somente o corpo que participa nela. No momento que o adepto alcança esta percepção, o véu de ilusão é levantado e a união é realizada:

 4.35.Ciente disto, já não cairás

na ilusão, ó Filho de Pandu;

e verás, sem excepção, a todos, todos os seres

em ti, no átma, e em Mim, em Mim, em Mim.”[22]

A preocupação de Arjuna ao participar nesta batalha é que esta acção seria contra o conceito de ahimsa ou não-violência, um dos princípios fundamentais do Hinduismo e do Yoga, que tem em conta que toda a vida humana e animal é sagrada. Krishna explica que quem alcança a meta de Jnâna-Yoga consegue anular esta violenta acção:

  4.36.Mesmo que sejas grande pecador,

entre os maiores pecadores, ‘inda assim,

a fraqueza tu hás-de atravessar

a bordo do navio do conhecimento.

 4.37. Como o fogo reduz o bosque a cinzas,

ó Arjuna, do mesmo modo o fogo

do conhecimento, por completo, a cinzas

certamente reduz as acções todas.” .[23]

 

Portanto, nesta lição Krishna quer ensinar que Jnâna-Yoga é, essencialmente, o caminho para Brâman através do conhecimento e do discernimento entre a realidade e não-realidade para, por fim, perceber o eterno.

 

Râja-Yoga

A palavra rajá quer dizer ‘rei’ e refere-se aos monarcas de linha Kshatria/Raiput, assim Râja-Yoga é traduzido como sendo o Yoga Real.  O Râja-Yoga é um neologismo que aparece no século 16 d.C. e Georg Feuerstein explica que:

Refere-se especificamente ao sistema de Yoga de Patanjali, criado no século II d.C., e é usado na maioria das vezes para distinguir do Hatha-Yoga, o caminho óctuplo de introversão meditativa preconizado por Patanjali.[24]

Patanjali é considerado como o compilador da tradição de Yoga que visa o controlo das actividades psicofísicas para realizarmos a nossa verdadeira natureza e conseguir o objectivo de libertação ou moksha. Os Yoga-Sûtra definem quais são essas técnicas através dos seus aforismos concisos. Também o Bhagavad-Gîtâ, através do diálogo entre Krishna e Arjuna, nos oferece um guia prático para experimentar este Yoga.

Como o Bhagavad-Gîtâ é um texto muito anterior ao dos Sûtras, podemos concluir que Patanjali, genialmente, conseguiu codificar o Râja-Yoga do Gîtâ, definindo quais são as técnicas mencionadas através dos seus aforismos concisos para o leitor poder reflectir ou meditar sobre cada Sûtra e o seu sentido. Consoante a sua experiência, pouco a pouco, o propósito das palavras ser-lhe-á revelado para em seguida ser possível aplicá-lo na sua vida yoguica.

Os Yoga-Sûtra estão divididos em quatro capítulos, ou livros, chamados pâda, com um total de 196 aforismos: Samâdhi-pâda, Sâdhana-pâda, Vibhûti-pâda e  Kaivalya-pâda. É no Sâdhana-pâda, aforismo 29, que encontramos os oito angas, ou membros de yoga (Ashtânga Yoga), considerados essenciais para a sua prática.

Os angas são yama (refreamentos), niyama (observâncias), âsana (posturas), prânâyama (disciplina do sopro), pratyâhâra (retracção dos sentidos), dhârâna (fixação da atenção), dhyâna (continuidade da concentração) e samâdhi (enstase). Mais especificamente, os yama são ahimsâ (não violência), satya (verdade), asteya (não roubar), brahmacarya (continência), e aparigraha (desapego) e os niyama são çauca (purificação), samtosha (contentamento), svâdhyâya (estudo), e Içvara-pranidhana (consagração de Deus).[25]

No Bhagavad-Gîtâ, enquanto Krishna não discursa definitivamente contra a violência (himsa), explica, principalmente na terceira lição sobre Karma-Yoga[26], que o pior para Arjuna seria a não-acção. Tem que agir consoante o seu dharma, como guerreiro, sendo necessário defender a justiça. Na segunda lição, Krishna também explica que realmente não estaria a matar ninguém porque o átman é indestrutível, somente o corpo no qual encarnou é que é perecível:

 2.18. Estes corpos caminham para um fim,

mas átma encarnado que os anima,

afirmam, é indestrutível, insondável.

Portanto, luta, luta, ó Grão Filho de Bhárata![27]

Na décima-segunda lição, também explica que Arjuna não pode deixar que valores éticos tradicionais sejam um impedimento à acção quando esta é praticada com desapego aos seus frutos:

 12.17. Quem já abandonou, de todo, o egoismo

e cujo intelecto não está sujo,

mesmo que mate a mole imensa deste povo,

não, não mata ninguém, nem tem remorsos.”[28]

Podemos encontrar referências aos Ashtângas em toda a parte do texto de Bhagavad-Gîtâ. Por exemplo, na quarta lição podemos ver uma alusão ao niyama de samtosha no primeiro verso:

4.22.Satisfeito com tudo que o destino dá,

além da dualidade e sem nenhuma inveja,

e indif’rente no sucesso e no malogro,

esse, mesmo que actue, não está envolvido.” [29]

 

Na mesma lição podemos ler uma referência ao anga de prânâyama:

4.29.Há os que, concentrados na respiração,

após tê-la retido, sacrificam

o ar expirado na inspiração

e, na expiração, o inspirado ar.”[30]

 enquanto na segunda lição podemos ler uma referência ao anga de pratyâhâra:

2.58.E quando ele recolhe os seus sentidos,

tal como a tartaruga as suas patas,

de todos os objectos dos sentidos:

ele é um sábio firmemente equilibrado.”[31]

 e de novo, na terceira lição:

3.7.Mas quem vigia os seus sentidos com a mente

e empreende assim, ó Ardjuna, o Yôga

da acção, com os órgãos todos da acção

e sem apego aos frutos, esse é superior.”[32]

As seguintes estrofes são mencionadas por Jean Filliozat, no seu livro Religion Philosophy Yoga[33]onde ele indica que têm referências aos angas do pratyâhâra (primeiro e sétimo versos) e prânâyama (terceiro e quarto versos), mas também podemos encontrar referenciados dhârâna (segundo verso), dhyâna (quinto verso) e samâdhi (última estrofe):

5.27.Rejeitando os contactos lá de fora

co’a visão fixa entre as sobreancelhas,

tornando iguais, ao respirar, os movimentos

do ar, tal como passam pelas narinas

 5.28. dominado os sentidos, a mente e o intelecto,

o asceta cujo alvo é só libertação,

sem desejo nenhum e sem medo e sem cólera,

se assim permanecer, pra sempre está liberto.

 5.29. Sabendo que sou  Eu, Quem, de facto, recebe

o sacrifício mais a ascese, o Grão Senhor

dos mundos e, de todos os seres, o Grande Amigo,

o sábio, certamente, alcançará a paz.” [34]

Esta última estrofe também tem uma referência ao niyama de tapas na palavra ‘ascese’ e há várias menções a este niyama por todo o Bhagavad Gîtâ, por exemplo:

4.10.“Muitos, libertos da paixão, do medo e cólera,

absorvidos em Mim e em Mim só procurando

refúgio, já purificados pela ascese

do conhecimento, ascenderam ao Meu estado.” [35]

A décima-segunda lição, é dedicada ao Bhakti-Yoga, onde Içvara-pranidhana (consagração de Deus) está integrado como a essencia deste Yoga. A estrofe 8 também contém referências aos outros três angas de dhârâna (primeiro verso), dhyâna (segundo verso) e samadhi (terceiro verso):

 12.8.Conserva a tua mente fixa só em Mim

e faz com que penetre, em Mim, teu intelecto;

e, desde então, em Mim, terás tua morada:

não há, acerca disto, dúvida nenhuma.” [36]

Na sexta lição Krishna explica a Arjuna o próposito de Râja-Yoga dizendo que é para ligar a nossa consciência a d’Ele, ou seja Brâman, através do controlo do corpo, mente e sentidos. Krishna diz que ninguém se pode tornar um yogui sem renunciar aos seus desejos e para quem já conseguiu elevar-se através da acção, agora pode procurar o caminho através da meditação em vez de acção:

6.2.Isso que os homens chamam de renúncia,

ó Filho de Pandu, é este Yôga;

ninguém pode tornar-se yôgui sem matar

os seus desejos, integrado em disciplina.

 6.3. Pró asceta, que aspira elevar-se ao Yôga,

como se diz, acção é o seu instrumento;

e, para o mesmo asceta, ao Yôga elevado,

seu instrumento é, como se diz, repouso.” [37]

 

Krishna continua a explicar que é preciso apaziguar a mente (átma) e que a maneira de o conseguir é concentrando-se no Átma Supremo porque assim nem perante o frio, calor, prazer, dor, etc., perderá a concentração e sendo mestre dos sentidos permancerá em meditação, imóvel na união com Ele (penso que aqui o uso da palavra Yoga tem a ver com a ligação ao Brâman mais propriamente do que uma simples referência ao Râja-Yoga):

 6.7.E, dominado o átma, no homem em paz,

átma mantem-se sempre concentrado

n’Átma Supremo, ante frio, calor,

prazer e dor, e ante a honra e a desonra.

6.8. O yôgui pra quem o oiro, a pedra

e um pedaço de terra, o mesmo valor têm,

instruído nos livros e na vida,

é mestre dos sentidos, imóvel em Yôga.” [38]

 

A seguir, Krishna indica como o praticante do Râja-Yoga se deve aprontar para meditar bem como o deve fazer. É aqui que encontramos uma referência aos angas de asana,  que no dicionário Monier-Williams é traduzido como sendo “sentar-se”[39], dhârâna, dhyâna e samâdhi, do niyama encontramos çauca e dos yama de aparigraha e brahmacarya:

6.10.Este yôgui medita sempre em Átma,

sozinho, num lugar secreto e isolado,

bem dirigindo o átma e pensamentos,

sem desejos nenhuns e sem nenhuns apegos.”

(A referência ao dhyâna no primeiro verso, dhârâna no segundo verso e aparigraha nos últimos dois.)

 6.12. sentado nesse sitio e, tendo concentrado

a mente sobre um ponto, e também dominado

seus pensamentos e sentidos, este homem,

na prática d’Yôga, purifica o átma.”

(A referência ao asana no primeiro verso, dhârâna no segundo verso, pratyâhâra no segundo e terceiro versos, e ao aplicar estes todos consegue a purificação (çauca) da mente (átma)).

 6.13.Sereno, conservando o torso e o pescoço

e a nuca mui direitos, sem bulir,

ele fixa o seu olhar na ponta do nariz

sem ver nenhuma direcção no espaço,

(Outra referência ao asana nos primeiros dois versos e dhârâna no terceiro.)

 

6.14. com átma tão tranquilo e livre de tremor

fiel à castidade do seu voto,

mestre da mente e concentrado em Mim,

integrado em Yôga e, em Mim, absorvido.”

(A referência ao brahmacarya no segundo verso, dhârâna no terceiro verso, dhyana e samadhi no último.)

 

 6.15.Em Átma, sempre meditando, tal yôgui

que domou por completo a sua mente,

alcança, unido a Mim, a paz nirvânica,

que tem, em Mim seu fundamento único:”[40]

(Outra referência ao dhyana nos primerios dois versos e samadhi nos dois últimos.)

Krishna continua a explicar os processos de Râja-Yoga até Arjuna O interromper dizendo que o sistema de Yoga que lhe está a ensinar parece difícil de conseguir devido à turbulência e instabilidade da mente. A conclusão de Arjuna é que será mais fácil controlar o vento do que a mente.[41] Krishna concorda e ainda explica que quem se aplica  de verdade a este Yoga consegue atingir a sua meta. Arjuna continua a pedir que as suas dúvidas sejam esclarecidas e Krishna explica que, se nessa vida não o consegue dominar, então terá a oportunidade de assim fazer noutras vidas.[42]

Assim, uma possível conclusão seria que aparentemente Arjuna ainda não O pode procurar na meditação porque ainda não entrou na acção para completar o seu dharma, e portanto este Yoga não é ainda para Arjuna.

Na última estrofe desta lição, Krishna fala, parecendo querer sossegar Arjuna, dizendo que demonstrando a sua fé e tendo a mente sempre absorvida n’Ele, estará a praticar o Yoga mais elevado, ou seja, quem pratica o Bhakti-Yoga tem a máxima consideração de Krishna:

6.47.Entre todos yôguis, aquele que tem o átma

sempre absorvido em Mim e Me adora com fé,

na verdade, é por Mim, considrado o mais

integrado, maior entre os yôguis todos.”[43]

Bhakti-Yoga

A palavra Bhakti, derivada da raiz bhaj (dividir, partilhar, possuir[44]), é geralmente traduzido como ‘devoção’ e por conseguinte, Bhakti-Yoga é o Yoga de Devoção. O caminho para um Bhakti-Yogin é o da devoção com o objectivo de atingir o Amor Supremo. Através de meios de devoção e o acto de auto-entrega, o devoto espera realizar a Verdade e a comunhão ou união com o Absoluto. O devoto iniciante começa com preces, cânticos, rituais e cerimónias. Repetir o nome de Brâman é também considerado uma prática importante. Eventualmente, o devoto espera conseguir a humildade interna necessária para a disolução do ego.

No Bhagavad-Gîtâ, o Bhakti-Yoga é a forma de Yoga mais elevada. Em várias estrofes encontramos referências à prática de Bhakti-Yoga, tal como a que foi transcrita na página 4. Outras são referidas por Georg Feuerstein no seu livro[45] e aqui colocadas na versão de António Barahona:

 2.71.O homem que, a todos os seus desejos

renunciou, isento d’avidez,

que não pensa jamais:-’Isto sou eu’,

ou, então, – ‘Isto é meu’, alcança a paz.

 2.72. Eis onde, ó Filho de Prithá, reside

a fixação em Brahma; e, quem a conseguiu,

não volta a iludir-se; e, à hora da morte,

atingirá, em Brahma, o Nirvana.[46]

 

5.24. Aquele que só encontra felicidade,

e deleite e luz, dentro de si próprio,

torna-se Brahma tal yôgui e, então,

mergulha no Nirvana assimilado a Brahma.[47]

 

6.15. Em Átma, sempre meditando, tal yôgui

que domou por completo a sua mente,

alcança, unido a Mim, a paz nirvânica,

que tem em Mim, seu fundamento único.” [48]

A pessoa que não assume qualquer acção como sendo dele e para ele, mantendo a mente em Brâmân, ligado à felicidade interna, chega à meta do Yoga. Penso que a última estrofe também é uma alusão ao Râja-Yoga devido ao uso de palavra ‘meditando’ e a referência ao controlo da mente.

 6.31.A unidade, concebendo e adorando-Me,

no todo incluso em os seres todos, este yôgui,

seja qual for sua maneira de viver,

sua morada é sempre em Mim, em Mim, em Mim.”[49]

Acima, temos a explicação do que acontece quando o devoto já alcançou a meta do Bhakti-Yoga: a disolução completa do ego e realização do Brâman.         

Neste artigo há uma referência na décima-segunda lição, entitulada Bhakti-Yoga, ao anga de Içvara-pranidhana. I. K. Taimni no seu livro The Science of Yogaescreve sobre este anga:

Por conseguinte, a prática de Içvara-pranidhana começa com a asserção mental “Não será feita a minha vontade mas seja feita a Vossa vontade”, mas não acaba aqui. Há um esforço constante para levar a contínua retirada da consciência do nível da personalidade que é o assento da consciência do ‘eu’ para a consciência do Supremo onde a Sua vontade está a trabalhar no mundo manifestado.” [50]

Portanto, como o Bhakti-Yoga é sobre a devoção a Brâman, é possível perceber que Içvara-pranidhana é a essência da sua prática.

Contudo, e continuando com o livro The Science of Yoga”, Taimni explica que ao princípio este caminho não é fácil enquanto a ‘personalidade’ ou ego não está dominada mas ao longo do tempo os impedimentos à esta realização são levantados. Para o devoto de Bhakti-Yoga o enfase não é na fusão da vontade individual com a Vontade Divina mas na união com o Amado através do amor.[51]

 

A licão abre com Arjuna a perguntar Quais são os mais versados em Yogae nas primeiras estrofes temos a resposta quando Krishna lhe diz:

 12.2.Os seres que, integrados em si, eternamente,

Me veneram, a mente só em Mim, deixando

dotados duma firme fé insuperável,

são os mais integrados, os Meus fiéis devotos.

 12.3. Mas os que louvam só o Imperecível,

Indefinível, Não Manifestado,

Omnisciente, Imóvel, Imutável,

Eterno, Infinito, Inconcebível,

 12.4. disciplinando a multidão dos seus sentidos

e cujo intelecto não se altera nunca

e rejubilam c’o bem-estar das criaturas

em verdade, em verdade esses hão-de alcançar-Me.” [52]

Aqui Krishna explica que os mais versadossão aqueles que perfeitamente se concentram na Sua forma e O adoram com fé e devoção porque assim não há acções materialistas – tudo é feito como oferenda, sem deixar passar um momento sem estes actos de devoção.

A lição continua com Krishna a explicar quais as qualidades que um devoto deveria possuir e que este deveria refugiar-se nele, dedicando-Lhe todas as suas acções, meditando e praticando Yoga para conseguir a meta de libertação ou moksha:

 12.6.Mas, os que renunciam às acções

em Mim, e que Me elegem o Supremo,

com devoção, em Mim só meditando

e praticando Yôga imperturbaveis,

 12.7. cuja consciência já penetrou toda em Mim,

desses sou, na verdade, o libertador,

ó Filho de Prithá, libertador do mar,

do grande mar da morte e da transmigração.” [53] 

Krishna continua a explicar que Arjuna devia manter a mente sempre n’Ele e se não conseguir, procurar somente fazer o Seu trabalho e senão conseguir fazer isso, então Lhe devia dedicar o seu trabalho.  Se isso for demasiado difícil de conseguir, então devia renunciar os frutos da acção.

 12.8.Conserva a tua mente fixa só em Mim

e faz com que penetre, em Mim, teu intelecto;

e desde então, em Mim, terás tua morada:

não há, acerca disto, dúvida nenhuma.

 12.9. Mas se, és incapaz de concentrar,

com firmeza, em Mim, teu pensamento,

procura, nesse caso, alcançar-Me

pla prática d’Yôga, ó Dhanandjaya.”

12.10.Se te for, no entanto, impossível tal prática,

dedica-te a fazer somente o Meu trabalho:

se realizares, por Mim, as tuas acções todas.

Hás-de antingir, sim, com certeza, a perfeição.”[54]

Nas estrofes 8 e 9 são as referências aos angas de dhârâna (primeiro verso), dhyâna (segundo verso) e samahdi (terceiro, sexto e décimo-segundo versos) do Râja-Yoga.

Na estrofe 12, parece que estamos a ver qual a ordem de importância que Krishna dá aos quatro Yogas com Jnâna-Yoga a ser melhor do que Karma-Yoga, Râja-Yoga melhor do que o Jnâna-Yoga, e o Bhakti-Yoga melhor do que o Râja-Yoga, e quem pratica o Bhakti-Yoga alcança a sua meta:

 12.12. Melhor o conhecimento do que mero esforço;

meditação é superior ao conhecimento;

melhor, renunciar aos frutos da acção

do que meditação: pela renúncia vem paz.” [55]

Nas últimas estrofes, Krishna continua a explicar as caractetrístícas que o devoto devia possuir como compaixão, contentamento, pureza e a equinamidade perante tudo e todos[56]. Na última estrofe ainda clarifica que os devotos mais queridos são os que O elogiam com fé sacrificando ou oferecendo as acções e as suas recompensas a Ele, para todo o Dharma, ou seja todo o ensinamento para a vida eterna tal como foi dado em todo o Bhagavad-Gîtâ:

 12.20. Mais os que louvam este Dharma que te disse,

néctar que dá a vida eterna, cheios de fé

e tendo só em Mim o seu supremo alvo,

esses, são para Mim, os devotos mais queridos.[57]

À primeira leitura, podemos pensar que os quatro Yogas diferem bastante, mas depois de aprofundar mais o texto, percebemos que o objectivo comum e fundamental de todos é o mesmo, ou seja a união com o Absoluto ou Brâman. Todos eles procuram elevar os seus praticantes além da identificação vulgar do corpo e mente, colocando-os na posicão de os transcender.

 

O Bhagavad-Gita é considerado o texto sagrado que explica o caminho de Bhakti-Yoga, que, por seu turno, é considerado o mais elevado de todos os Yogas. Os Yogas de Karma, Jnâna e Râja são considerados vias para conseguir chegar ao de Bhakti, embora cada um por si é também visto como um caminho para a realização do Absoluto.

Esta conclusão foi tirada depois de ler a décima-segunda lição, estrofe 12, onde Krishna coloca os quatro yogas por ordem, como já foi mencionado neste trabalho e agora explicado em mais detalhe.  Pela leitura do Bhagavad Gita parece que o Karma-Yoga é o primeiro no caminho da realização do Absoluto/Brâman. Também pode ser considerado o percursor de Jnâna-Yoga, mostrando o caminho para este Yoga através da acção sem apego. Por outro lado, no Jnâna-Yoga, depois do adepto já compreender a inacção na acção, quando prossegue na direcção da meditação pode ser considerado o percursor de Râja-Yoga. Por fim no Râja-Yoga quando já estão ultrapassados os oito angas, entramos no Bhakti-Yoga, o culminar de todos os Yogas, com a renúncia de acção, os seus frutos e a dissolução do ego para chegar à união com Brâman. Contudo, um Yôgui que segue o caminho de Bhakti-Yoga não precisa de seguir qualquer um dos outros Yogas.

Krishna também quer transmitir que em todo e qualquer trabalho que fazemos, somos somente o instrumento e que devemos procurar fazer tudo com serenidade, tanto nos sucessos e nos fracassos, no ganho e na perda, na felicidade e na dor. O seu ensinamento mostra que é possivél retirar a nossa ligação aos objectos e objectivos sensoriais para o prazer pessoal, para os transformar no serviço a Ele.

O diálogo entre Krishna e Arjuna tornou o Bhagavad-Gîtâ num texto universal, não sectário e significativo para quem procura a solução dos problemas e conflitos internos que afligem todos nós. Krishna, com as suas palavras repletas de sabedoria, abre a porta para conseguirmos encontrar a resolução das perguntas e problemas eternos de toda a humanidade.

 *****

Anexo:

Todas as lições têm títulos que incluem a palavra Yoga[1], aqui traduzidos por António Barahona do livroPoema do Senhor – Bhagavad-Gîtâ”: [2]           

Primeira:  Visada Yoga –O Yoga da Angustia de Ardjuna

Segunda: Sankhya Yoga – O Yoga do Ponto de Vista do Sânkhya

Terceira:   Karma Yoga –O Yoga da Acção Bem Dirigida

Quarta:    Jnâna Yoga – O Yoga da Conhecimento d’Átma

Quinta:     Karma Vairagya Yoga –O Yoga da Acção e da Renúncia 

Sexta:      Abhyasa Yoga (também conchecido como Dhyana Yoga ou Râja Yoga) – O Yoga da Meditação em Átma    

Sétima:    Paramahamsa Vijnâna Yoga – O Yoga da Teoria e a Prática do Conhecimento

Oitava:    Aksara-ParaBrâman Yoga – O Yoga de Brahma Imperecível

Nona:      Râja-Vidya-Guhya Yoga – O Yoga do Mistério Real e da Real Sabedoria

Décima:  Vibhuti-Vistara-Yoga – O Yoga das Manifestações do Poder Divino

Décima-primeira: Visvarupa-Darsana Yoga – O Yoga da Visão da Forma Universal

Décima-segunda: Bhakti Yoga – O Yoga da Devoção Bem Dirigida            

Décima-terceira: Ksetra-Ksetrajna Vibhaga Yoga –O Yoga da Distinção entre O Campo e seu Conhecedor

Décima-quarta: Gunatraya-Vibhaga Yoga – O Yoga da Distinção entre os Três Gunas

Décima-quinta: Purusottama Yoga – O Yoga do Puruxa Supremo

Décima-sexta: Daivasura-Sampad-Vibhaga Yoga – O Yoga da Distinção entre o Destino Divino e o Assúrico

Décima-setima: Sraddhatraya-Vibhaga Yoga – O Yoga da Distinção entre as Três Espécies de Fé       

Décima-oitava:  Moksa-Opadesa Yoga – O Yoga da Renúncia


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[1]FEUERSTEIN, GEORG; A Tradição do Yoga;  São Paulo, Brasil; Editora Pensamento-Cultrix Ltda, 1998; p.245

[2]http://en.wikipedia.org/wiki/Madhusudana_Sarasvati

[3]FEUERSTEIN, GEORG; A Tradição do Yoga; São Paulo, Brasil; Editora Pensamento-Cultrix Ltda, 1998; p.65

[4]. Ver anexo acima

[5]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.111

[6]FEUERSTEIN, GEORG; A Tradição do Yoga;  São Paulo, Brasil; Editora Pensamento-Cultrix Ltda, 1998; p.39

[7]FEUERSTEIN, GEORG; A Tradição do Yoga; São Paulo, Brasil; Editora Pensamento-Cultrix Ltda, 1998; p.87.

[8]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.67.

[9]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; pp.188 e 189, estrofes 6 a 8.

[10]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.69

[11]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.71

[12]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá ; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; pp.72-73

[13]FEUERSTEIN, GEORG; A Tradição do Yoga; São Paulo, Brasil; Editora Pensamento-Cultrix Ltda, 1998; p.67

[14]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.83.

[15]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.87.

[16]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá ; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.83.

[17]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.79, estrofes 6 a 8.

[18]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.79 a 81, estrofes 6 a 8.

[19]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p. 81.

[20]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.83,

[21]SIVANANDA, SWAMI; Bhagavad Gita; The Divine Life Society; World Wide Web (www) Edition; India, 2000. http://www.dlhsq.org/downloads/bgita.htm    “Even though one is not engaged in action, but if the mind is active with the idea of doership and egoism, then it is action in inaction. On the other hand, though engaged physically in intense action, if the idea of agency is absent, if one feels that Prakriti does everything, it is inaction in action. The liberated man is free from attachment and is always calm and serene though engaged in ceaseless action. He is unaffected by the pairs of opposites like joy and grief, success and failure.”

 

[22]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.87.

[23]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.87.

[24]FEUERSTEIN, GEORG; A Tradição do Yoga; São Paulo, Brasil; Editora Pensamento-Cultrix Ltda, 1998; p.65.

[25]MICHAEL, TARA; O Ioga; Paris; Editorial Presença, Lda., 1975; pp.86 a 118.

[26]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; pp.67 a 77.

[27]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.51.

[28]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.221.

[29]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.83.

[30]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.85.

[31]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.61.

[32]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.69.

[33]FILLIOZAT, JEAN; Religion Philosophy Yoga; Dehli, India; Motlal Banarsidass Publishers Pvt. Ltd, 1991; p. 409.

[34]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.97.

[35]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.81.

[36]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.173.

[37]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.99.

[38]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.99 a 100.

[39]http://www.ibiblio.org/sripedia/ebooks/mw/0100/mw__0192.html; 3ªcoluna, linha 31.

[40]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.101, estrofes 10 a 15.

[41]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.107, estrofes 33 e 34.

[42]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.107 e 109, estrofes 33 a 42.

[43]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá;  Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.111.

[44]http://www.ibiblio.org/sripedia/ebooks/mw/0700/mw__0776.html

[45]FEUERSTEIN, GEORG; A Tradição do Yoga;São Paulo, Brasil; Editora Pensamento-Cultrix Ltda, 1998

[46]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.65

[47]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.97

[48]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.101

[49]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.105

[50]TAIMNI, I.K.; The Science of Yoga; London, England; The Theosophical Publishing House, 1961; p.229. “The practice of Isvara-pranidhana therefore begins with the mental assertion “Not my will but Thy Will be done”, but it does not end there. There is a steady effort to bring about a continuous recession of consciousness from the level of the personality which is the seat of ‘I’ consciousness of the Supreme whose will is working out in the manifested world.”

[51]TAIMNI, I.K.; The Science of Yoga; London, England; The Theosophical Publishing House, 1961; p.230. “[…]the emphasis is not on the merging of the individual will in the Divine Will but on the union with the Beloved through love.

[52]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.171.

[53]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.171, estrofes 6 a 7.

[54]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.171, estrofes 8 a 9.

[55]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.173.

[56]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.175, estrofes 13-19.

[57]BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Guitá; Lisboa; Relógio D’Àgua Editores, 1996; p.175.

AUROBINDO, SRI; Bhagavad-Gita and its Message; Twin Lakes, WI, USA; Lotus Press, 2nd edition 2001;

BARAHONA, ANTÓNIO; Poema do Senhor, Bhagavad-Gîtâ; Lisboa; Relógio D’Água, Editores, 1996;

FEUERSTEIN, GEORG; A Tradição do Yoga; São Paulo, Brasil; Editora Pensamento-Cultrix Ltda, 1998;

FILLIOZAT, JEAN; Religion Philosophy Yoga; Delhi, India; Motilal Banarsidass Publishers Pvt. Ltd, 1991;

MICHAEL, TARA; O Ioga; Editorial Presença, Lda., Paris, 1975;

YOGANANDA, PARAMAHANSA; The Yoga of the Bhagavad-Gita; Los Angeles, California,USA; Self-Realization Fellowship, 2007.

 

SIVANANDA, SWAMI; Bhagavad Gita; The Divine Life Society; World Wide Web (www) Edition; India, 2000. http://www.dlhsq.org/downloads/bgita.htm(consultado em Agosto 2008);

http://en.wikipedia.org/wiki/Madhusudana_Sarasvati (acedido em Agosto 2008);

http://www.bhagavad-gita.org/Gita/intro.html(consultado em Agosto 2008);

http://www.ibiblio.org/sripedia/ebooks/mw/0700/mw__0776.html(consultado em Agosto 2008);

http://vedabase.net/bg/en(consultado em Agosto 2008).

 



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